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IMPENSADAS ATITUDES
Orson Peter Carrara
É muitas vezes no comportamento dos pais que os filhos se inspiram para o consumo de drogas. Gestos pequenos, impensados, aparentemente sem importância, exercem enorme influência na vida dos filhos.
Entrevistando o psicólogo, escritor e palestrante Valci Silva, de Tupã-SP, assim respondeu a uma das questões propostas: Infelizmente é crescente o número de usuários e dependentes de drogas em geral. O uso de drogas se inicia dentro do próprio lar, quando os pais usam medicações para qualquer situação onde não seria necessário o recurso químico. Muitos pais, ao chegarem em casa, adotam atitudes do tipo: preciso tomar uma cerveja para relaxar ou preciso tomar um calmante para dormir. Levando-se em conta que educação se faz por convivência, rapidamente a criança assimila o conceito de que pode resolver suas necessidades através destas substâncias. Os pais perdem a oportunidade de lhe ensinar a viver de modo mais ajustado e natural, com enfrentamento das dificuldades através das habilidades natas ou sociais de cada um. Em razão desta ordem de coisas, além da forte influência do meio em que convivemos, as drogas se tornaram muito populares e de fácil acesso. Isso explica o enorme contingente de usuários na ordem mundial, que hoje está no patamar de 26 milhões de pessoas, o que equivale a 0,6% da população do planeta. Dos atuais 6,5 bilhões de habitantes, 208 milhões de pessoas já experimentaram algum tipo de droga... estão buscando o que? Falta-lhes objetivo e meta existencial, por isso procuram em qualquer lugar ou coisa. Ensina o filósofo Shakespeare que: quando não se sabe onde quer chegar, qualquer lugar serve. Em razão de tudo isso temos atendido muitas pessoas envolvidas com drogas, principalmente no serviço público onde atuamos já há mais de 25 anos com dependentes químicos. Lidar com eles não é tarefa fácil. É preciso muita paciência, dedicação, conhecimento e acima de tudo firmeza no encaminhamento das suas necessidades e dificuldades. Podemos e assim fazemos: atendê-los em três níveis, sendo importante uma avaliação médico-clínica e muitas vezes psiquiátrica, muitas vezes com consequente uso de medicação, terapia psicológica e em alguns casos uma internação hospitalar.
Como se sabe, a questão é grave, de comprometimento nacional. Além de comportamentos distraídos dentro de casa, estimulantes ao consumo de drogas para qualquer dificuldade, ainda há a pressão social, o tráfico e tudo mais que já se conhece. Isso bem revela nossa fragilidade social, ainda necessitada de muita disciplina e conhecimento.
Somos, os seres humanos, muito distraídos. Esquecemos o que é importante e valorizamos o medíocre, desprezamos valores essenciais à vida e seguimos com facilidade para caminhos comprometedores do futuro, não prestando atenção ao que ocorre à nossa volta.
Já não é tempo de alterar tudo isso? Já não é tempo de prestarmos mais atenção nas atitudes? Permitimos drogas chamadas lícitas dentro de casa, na convivência com os filhos, e depois reclamamos que os filhos se envolvem com drogas... Uma incoerência...
Tenho visto pais que oferecem pequenos goles de cerveja aos filhos e riem com isso. Outros que fumam jogando fumaça dentro de casa ou no rosto da família inteira. Onde queremos chegar com isso?
Sim, como disse o psicólogo. Precisamos ensinar os filhos a enfrentar as adversidades com coragem, com naturalidade, sem torná-los dependentes de drogas para isso. É certo que os filhos trazem suas bagagens e tendências, mas, nós os pais e adultos temos o dever de exemplificar...
Não ha dúvidas, pois, que para educar é preciso aprimorar-se. Eis, pois, o alcance e grandeza da proposta espírita para que construamos a serenidade que tanto almejamos.
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