Diretorias de Papel
Cláudia Maria Navarro USE-Araraquara Presidente
A simpatia que atrai um Espírito para outro resulta da perfeita concordância de seus pendores e instintos.
(resposta à questão 301 de “O Livro dos Espíritos”)
Os trabalhadores espíritas habitualmente demonstram grande apreço ao amparo espiritual superior, indispensável ao bom andamento das atividades da casa espírita, e procuram fazer tudo, ou quase tudo, para serem merecedores dessa proteção amiga.
Empenham-se esforços no estudo da mediunidade para que médiuns, dirigentes, doutrinadores executem seu trabalho com consciência, colocando seus dons a serviço de Jesus.
Busca-se dispensar o melhor tratamento aos que procuram as casas espíritas em busca de um ombro amigo, uma palavra de conforto e esclarecimento. Não se poupam esforços por ouvi-los, aplicar-lhes passes, atender suas necessidades espirituais e também materiais.
Organizam-se cursos, grupos de estudo, palestras, demonstrando enfim, grande zelo pelas às atividades eminentemente espirituais da casa espírita, e isso tem, é claro, razão de ser.
Mas com certa freqüência relega-se a plano secundário um aspecto igualmente relevante, se não primordial, ao bom andamento das casas espíritas – a diretoria!
Uma casa espírita bem constituída não pode prescindir de uma Diretoria Executiva atuante, responsável, cristã e que execute suas atividades com absoluta transparência e desinteresse pessoal.
Além da idoneidade obviamente indispensável de cada um de seus membros, são necessários alguns requisitos para uma diretoria que genuinamente represente os interesses e necessidades dos sócios e freqüentadores das casas espíritas.
Os componentes das diretorias executivas devem ser atuantes, participantes, trabalhadores dedicados junto à casa que administram devendo estar profundamente engajados nos vários campos de atividade dos centros espíritas.
As diretorias devem obedecer rigorosamente o estatuto de suas sociedades - jamais desrespeitá-lo.
As diretorias executivas devem reunir-se periódica e regularmente, mesmo que eventualmente algumas reuniões sejam de caráter informativo ou de apresentação de relatórios financeiros, e outros aspectos rotineiros da vida da casa espírita. As reuniões regulares são indispensáveis!
O ambiente espiritual de um centro espírita depende da postura dos encarnados que a dirigem!
Não se pode esperar uma espiritualidade atuante e elevada trabalhando junto a dirigentes encarnados que não valorizam a disciplina, a ética, a renúncia, e o compromisso com o trabalho.
Assim com o maestro dá o tom da música, a diretoria dá a diretriz e orienta os rumos por onde deve caminhar a casa espírita.
A espiritualidade que concordar, por afinidade e sintonia, com tais rumos se associará aos trabalhos da casa. É assim que acontece e não o contrário!
Baseado nisso é que se pode concluir que não existem problemas de amparo espiritual nas casas espíritas. Existem sim, posturas dos dirigentes que precisam ser melhoradas para refinar a sintonia com espíritos tão responsáveis, cristãos, idôneos, desinteressados e dedicados quanto a própria diretoria.
E as diretorias fictícias apenas constituídas no papel? Existem?
Se existirem, estarão ligadas, por simpatia, a uma espiritualidade de papel.
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